O preço da dependência: o que o aumento do preço dos combustíveis nos ensina sobre preparação
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Ontem, eu estava no posto de gasolina, olhando para os números na bomba. Sabe aquela sensação? Aquele frio na barriga quando o total sobe muito mais rápido do que os litros? Observei um homem na bomba ao lado balançar a cabeça e pendurar a mangueira no meio do abastecimento.
É doloroso. Seja a caminho do trabalho ou apenas para fazer compras, esses preços crescentes estão a afetar toda a gente na Europa neste momento.
Mas há uma coisa em que não consigo parar de pensar: o preço do gasóleo não se resume apenas ao custo de encher o depósito do carro. É um enorme letreiro luminoso a avisar-nos que os sistemas dos quais dependemos são muito mais frágeis do que pensamos.
Tudo se move sobre rodas
Pense nos cereais na sua despensa ou nas botas novas que encomendou online. Nenhuma dessas coisas apareceu lá por magia. Foram transportadas por camiões, navios e carrinhas.
Quando o combustível fica caro, tudo o resto também fica caro. É o que chamamos de «efeito dominó».
Se os preços dos combustíveis continuarem a subir, ou se o abastecimento for interrompido, esses camiões param de circular. No mundo da sobrevivência, falamos do sistema de entrega «just-in-time». A maioria dos supermercados tem apenas comida suficiente nas prateleiras para durar cerca de três dias. Se o combustível parar, a comida para.
A regra das «72 horas»
Na Directiva 72, falamos muito sobre os primeiros três dias de qualquer crise. Porquê? Porque é normalmente esse o tempo que o «sistema» demora a entrar em colapso.
Quando os preços sobem assim, é uma emergência «leve». É desconfortável, mas as luzes continuam acesas. Mas e se o aumento não fosse de 20%? E se fosse de 200%? Ou se os postos simplesmente ficassem sem combustível?
Sempre digo aos meus amigos: não espere a tempestade começar para comprar um guarda-chuva. Ver os preços dos combustíveis subirem é a nossa oportunidade de praticar. É um lembrete de que não devemos depender 100% de um sistema que pode mudar por causa de uma guerra ou de um problema num oleoduto a milhares de quilómetros de distância.
Como recuperar o seu poder
Não pode controlar os preços globais do petróleo. Gostaria de poder, mas não posso. No entanto, pode controlar o quanto uma crise energética afeta a sua família. Eis como estou a lidar com isso:
A regra do meio tanque: Nunca mais deixo o meu carro ficar com menos de meio tanque. Se houver uma escassez repentina ou a necessidade de sair rapidamente, não quero ser a pessoa presa numa fila de três quilómetros no posto de gasolina.
Compre os alimentos de amanhã aos preços de hoje: como os preços elevados dos combustíveis tornam os alimentos mais caros mais tarde, estou a estocar agora produtos básicos de longa duração. É como colocar dinheiro num «banco alimentar» que paga juros.
Energia em pequena escala: Comecei a usar carregadores solares portáteis para o meu telemóvel e lanterna. É um pequeno passo, mas é bom saber que posso ter energia mesmo que a rede elétrica fique instável ou muito cara.
Controle o caos
É fácil sentir-se impotente quando se vêem esses preços no posto de gasolina. Parece que o mundo está a ficar mais caro e menos estável.
Mas estar preparado não significa ter medo. Significa ser a pessoa que mantém a calma porque viu os sinais de alerta antecipadamente.
O aumento do preço dos combustíveis é um aviso. É um lembrete para verificar o seu kit, encher a despensa e garantir que está pronto para cuidar de si mesmo durante pelo menos 72 horas, independentemente do que acontecer no posto de gasolina.